Os dias em que não sei aceitar.


 

A questão é a de aceitar. Ou o não aceitar. 

É muito mais simples de aceitar Quando estamos num dia bom, apenas com alguns sintomas, umas dores ligeiras e nada de mais. Até dormimos relativamente bem, e a vida parece fácil nesta nova realidade.Sabemos até que pontos podemos esticar a corda, e o que fazer para prevenir uma ri-se. Estamos em controle, estamos de frente para a vida é a controlar os dias, até mesmo as semanas.controle, e controlamos. São essas as palavras chave. 

O problema são os os dias nãos, os dias em que se começa a perceber que estamos a perder o fio condutor da nossa vida, do nosso dia a dia. Estamos quase a perder o controle. São aqueles dias que já dói nas mãos, que a dor nas costas já irrita mais do que incomoda e o relógio anda bem mais devagar do que era necessário. São os dias em vemos a casa com ruído a mais, em que quero despedaçamento encolher e esconder-me na cama sem barulho. Só eu e o silêncio das dores que falam tão alto. 

Assim custa- me aceitar. Aceitar que será sim, que com a mudança do tempo novas crises virão ( estou tão farta de ouvir isto!), e tudo dói. Não vejo horizonte a brilhar, stresso com o facto de ter que ir buscar os miúdos, eles são três, o bebé ainda faz xixi na fralda, os outros falam alto e como se não houvesse mais tempo para despejar todas as palavras que conhecem da língua portuguesa. Alto e acelerados, com perguntas e perguntas, máscaras,  repetidas, entram no ouvido, o outro chora la atrás, este repete tudo, o do meio fala de nomes queda nem sei se são do jogo ou da vida real,  máscaras no queixo, mais perguntas, mais repetições, o sinal virou  vermelho, o telefone toca, quem é que é? Pessoas dos lados e carros , porque é que andamos mais depressa? Pergunta sem resposta, ainda falta decidir o jantar, mas não tenho manteiga, quero dormir. Álcool gel, será que estamos protegidos, e se eles não estiveram? Ui aquele estranho parece vir para cá? Louco o homem que quase tocou neles. 

Quero silêncio na minha cabeça onde tudo anda aos trambolhões.

Nestes dias não sei aceitar. 

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