Dia Mundial da Fibromialgia

   

Ontem, foi o Dia Mundial da Fibromialgia, doença que afecta 300 mil portugueses. E eu também.
Depois de um longo processo de médicos e especialidades diferentes, análises, sintomas esquisitos e incapacitantes, e de muitos olhares desconfiados, finalmente afirmaram: sofres de fibromialgia.

Foi há 9 meses, e se por um lado foi um alívio pois finalmente havia diagnóstico e médico, por outro foi terrível. O aceitar, ou melhor, o não aceitar. 

Não sou muito de chorar, sou mais de siga para a frente, mas, chorei.
 Chorei porque tinha dores em quase todo o corpo e tudo parecia negro. Chorei pelos meus filhos e chorei pelo João, pois não queria que fossem afectados por minha causa. 
Mas chorei, por mim, com medo de mudar a minha/ nossa vida, com medo das dores, o acordar de manhã sem conseguir andar, e a incerteza associada a tudo. E pior, os adjectivos de rótulo impostos dos que não compreendiam como pode doer tanto e tudo,com dores diferentes, queimaduras, formigueiros, pontadas e fisgadas etc. 
Por fora corpo e cabeça quase na casa dos 40, e por dentro sentia os pesados 80. Da noite para o dia, fui obrigada a mudar, do exercício físico para religiosa natação, ao yoga, ás novas rotinas, inflexíveis, á imposição de ter tempo para ter tempo, dar descanso à cabeça com a meditação, passar mais tempo em casa. 

Melhorou, e o perceber que consigo (quase) gerir ou antever crises foi fulcral para poder escolher como encarar esta nova vida: não aceitar, ou, aceitar e perceber há coisas que não posso mudar, posso é fazer o melhor que consigo e como consigo. 
Este simples mindset devolveu-me o controle. 

Não sou perfeita nem muito menos consigo fingir que sou, portanto há dias que tenho uma mão (ou duas) ligadas, olheiras fundas de noites não dormidas, ou não consigo pôr o pé no chão, cabeça desorganizada e palavras trocadas, esquecimentos, ou cansada sem ter feito nada. 
Estar tão cansada que só dá mesmo para respirar.

 Isto foram as fases más, mas depois vieram as boas, agradecer por acordar sem nenhuma dor, agradecer por ter dias bons! Melhorei. Sempre a seguir as rotinas e orientações do médico, melhorei.

Com tanta coisa que já passamos, veio mais isto, mas não faz mal. 
O que é importante são os pequenos momentos perfeitos e quase perfeitos, é o fazer o melhor que se pode ter, e retirar o melhor de cada situação. Sou agradecida cada vez mais pela saúde da minha família, pela minha. Agradecida por eles todos, e por ele, pois senão este caminho seria muito mais difícil. 

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